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Uma advertência por estar lendo

Foto do escritor: Claudio Correa Monteiro
Claudio Correa Monteiro
7 de mai. de 2017
2 min de leitura

É engraçado dizer ou até mesmo vergonhoso, mas acho que não devemos ter vergonha de dizer quando levamos uma advertência por estar lendo. Ler é um ato tão superior, que a advertência transforma-se em algo banal, que você chega a sentir orgulho de ter sido advertido por estar lendo. E minha concepção continuará a mesma, ler até nunca mais poder conseguir ler...

Fui advertido por estar lendo dentro de um ambiente educacional. Eu fico pensando: Até que ponto essa educação mercadológica irá chegar? O ser humano tornou-se tão frágil! Quando eu digo frágil, não falo da fraqueza sentimental, até porque o sentimento foi embora há muito tempo e é dessa fraqueza que estou me referindo. A falta de sentimentos: É isso que faz com que os membros de uma sociedade se individualizem e queiram passar por cima dos outros. É a falta de leitura; ler é raro; quem lê será esmagado pela ditadura perversa da nova educação: A educação dos primeiros, dos mais aptos. O determinismo educacional, onde quem manda é quem tem dinheiro, triste situação à qual vivemos. A falta de leitura é uma fraqueza...

Se Geraldo Azevedo estivesse escrito “jogando milho aos pombos” nesta época, talvez ele tivesse mudado a letra para: “lendo em uma praça”... Nos corredores da educação, Chico Buarque estava cantando “o que será?”, uma letra subliminar no contexto histórico da época, todavia, nestes dias de poucos leitores, Chico não necessitaria ser tão subliminar em uma música tão sublime para os dias de hoje... Sublime, palavra muito escassa nos dias atuais, mas vou usá-la agora, nesse meu humilde espaço de ideias. Humilde, outra palavra escassa no vocabulário tecnicista. Bom, vou usar as duas. É sublime ler, é sublime educar com a leitura, é sublime o sorriso de uma criança com o livro na mão, é sublime ser advertido por ler. Sublime se encaixa com humildade e é tão humilde o ato de ler, que a arrogância de quem adverte será apenas uma palavra vaga no sublime mundo de quem lê...

Por: Jonas M. Carreira

Facebook.com/jonasmcarreira


 
 
 

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