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O Segredo Do Oratório

Foto do escritor: Claudio Correa Monteiro
Claudio Correa Monteiro
11 de abr. de 2018
3 min de leitura

Vou falar do primeiro livro da Luize Valente: O Segredo Do Oratório, lançado pela Editora Record em 2012. O livro narra a incrível, tocante e espetacular história da paraibana Ioná que descobre que é descendente de cristãos-novos (termo usado para designar os judeus e muçulmanos que se converteram ao Cristianismo, em contraposição aos cristãos-velhos) e corre atrás da história de sua família e descobre fatos que não conhecia até então. O livro nos conta de uma maneira singela e tocante a história do Judaísmo na Península Ibérica (península que compreende Portugal e Espanha) há cerca de 300 anos. No final do livro, há um glossário com os significados de palavras judaicas. O livro em principal fonte de informações foram pesquisas feitas para os documentários “A Estrela Oculta do Sertão” e “Caminhos Da Memória - Trajetória dos Judeus em Portugal”. Alguns trechos do documentário “A Estrela Oculta do Sertão” foram adaptados para o livro. Quem leu o livro, se emocionou com a história, mas quem não leu, vai precisar ler e se emocionar com a história. Antes que me perguntem sobre a história do judaísmo na Península Ibérica, vou responder da seguinte forma: Milhares de judeus foram forçados a conversão em Portugal, por decreto real, no fim do século XV. Passaram a ser chamados de cristãos-novos. Em seguida vaio a Inquisição. Muitos conversos fugiram para o Brasil. Alguns se embrenharam pelo Sertão. No breve período de domínio holandês no Nordeste, puderam retornar ao judaísmo. Fundaram em Recife a primeira sinagoga das Américas. Com a expulsão dos batavos do éculo XVII, um pequeno grupo deixou Pernambuco. Após uma conturbada viagem chegaram à Ilha de Manhattan, onde se estabeleceram a primeira comunidade judaica em Nova York. Para quem não sabe, Inquisição é um grupo (ou instituição) formado pelos tribunais da Igreja Católica que perseguiam. Julgavam e puniam pessoas acusadas de se desviar de suas normas de conduta. A Inquisição teve duas versões: a Inquisição Medieval, nos séculos XVIII e XIV, e a feroz Inquisição Moderna que foi concentrada em Portugal e Espanha, que durou entre os séculos XV ao XIX. Segundo informações do site Mundo Estranho: “Tudo começou em 1231, quando o papa Gregório IX – preocupado com o crescimento de seitas religiosas – criou um órgão especial para investigar os suspeitos de heresia. “Qualquer um que professasse práticas diferentes daquelas reconhecidas como cristãs era considerado herege”, afirma o historiador Rogério Luiz de Souza, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atuando na Itália, na França, na Alemanha e em Portugal, a Inquisição medieval tinha penas mais brandas – a mais comum era a excomunhão -, embora a tortura já fosse autorizada pelo papa para arrancar confissões desde 1252. Já sua segunda encarnação surgiu com toda força na Espanha de 1478.” O link da matéria é: https://mundoestranho.abril.com.br/historia/o-que-foi-a-inquisicao/. Há possibilidade de que o livro pode virar filme ou série. Quem pode dirigir é a diretora Paula Fiuza, que dirigiu o documentário “Sobral” e o diretor Breno Silveira que é responsável pelos filmes 2 Filhos de Francisco e Gonzaga – De Pai Par Filho, uma boa notícia para os fãs da autora. O documentário “Caminhos Da Memória - Trajetória dos Judeus em Portugal” ganhou o Prêmio de Melhor Direção de Documentário no New York Independent Film Festival 2003, tem quase uma hora de duração e começa na divisa de Portugal e Espanha, possivelmente por onde os judeus chegaram a Portugal, além de mostrar a arquitetura judaica e a história judaica na região. Esse documentário conta como os judeus se “converteram” há cerca de 500 anos e como a Inquisição Moderna começou O documentário “A Estrela Oculta do Sertão” ganhou o Prêmio de Melhor Documentário no Festival de Cinema Judaico de São Paulo 2005, tem quase três horas de duração e fala sobre os descendentes de judeus conversos (cristãos-novos) que residem no sertão nordestino (ou no Nordeste brasileiro dependendo onde os descendentes desses judeus moram) e é produzido pela autora, Luize Valente, e Elaine Eiger, assim como “Caminhos Da Memória - Trajetória dos Judeus em Portugal”. O documentário é enriquecedor para a leitura e no site da autora (http://www.luizevalente.com/), é possível assistir aos documentários. Recomendo assistir aos documentários para complemento da leitura. Os dois documentários são fantásticos.


 
 
 

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