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Auto da Compadecida

Foto do escritor: Claudio Correa Monteiro
Claudio Correa Monteiro
2 de abr. de 2025
3 min de leitura


Eu vou falar do livro Auto da Compadecida que é uma peça teatral em forma de auto, em três atos, escrita pelo autor brasileiro Ariano Suassuna em 1955. Sua primeira encenação aconteceu em 1956, no Recife, em Pernambuco. A peça também foi encenada em 1974, com direção de João Cândido. Trata-se de um drama ocorrido na região Nordeste do Brasil, com elementos da tradição da literatura de cordel, do gênero comédia e traços do barroco católico brasileiro. A obra mistura cultura popular e tradição religiosa. Na escrita, apresenta traços de linguagem oral, demonstrando na fala do personagem sua classe social. Há também regionalismos, pelo fato de a história se passar no nordeste, região em que o autor nasceu. Da literatura de cordel, Suassuna pegou emprestado o personagem João Grilo, personagem folclórico presente tanto no Brasil, quanto em Portugal. Também buscou inspiração em dois folhetos de Leandro Gomes de Barros (1865-1918), "O Dinheiro", também chamado de "O testamento do cachorro" e "O cavalo que defecava dinheiro". Auto da Compadecida projetou Suassuna em todo o país e foi considerada por Sábato Magaldi, em 1962,"o texto mais popular do moderno teatro brasileiro".Anuário - Academia Brasileira de Letras no Google Livros A peça foi adaptada para o cinema pela primeira vez em 1969, com o filme A Compadecida. A segunda adaptação foi em 1987, com o filme Os Trapalhões no Auto da Compadecida. Em 1999, foi apresentada como uma minissérie pela Rede Globo de Televisão (em que houve o acréscimo do artigo “o” antes do nome original). Essa foi a adaptação mais conhecida, e foi editada em 2000 para exibição nos cinemas. Nela aparecem alguns personagens, como o Cabo Setenta, Rosinha e Vicentão, que não fazem parte da peça original, mas da obra Torturas de um Coração, além de elementos de O Santo e a Porca, ambas de autoria de Ariano Suassuna. A peça teatral do qual o filme O Auto da Compadecida 2 se inspira não teve sequência. Por isso, para se manter no universo de Ariano Suassuna, outras obras do autor como A Farsa da Boa Preguiça serviram de base para o roteiro do novo filme. O filme foi todo rodado em estúdio, onde a Taperoá de Suassuna foi recriada. Havia uma expectativa de que houvesse filmagens em Cabaceiras – PB (locação do primeiro filme), mas isso não ocorreu. As gravações, na verdade, foram realizadas em estúdio e telas de LED recriaram o cenário nordestino. As gravações se encerraram em outubro de 2023 e o longa foi lançado em dezembro de 2024. O primeiro teaser foi lançado no dia 2 de maio de 2024. Há revelações no filme O Auto da Compadecida 2 a respeito dos personagens como Chicó que é analfabeto. Na nova obra, Chicó é retratado como uma figura pobre que sofreu várias consequências negativas pela condição de analfabetismo. Entre as consequências, o personagem perde Rosinha por nunca ter lido sua carta convidando para fugirem e se enrola com várias dívidas ao radialista e comerciante da cidade. Essa característica reflete uma condição comum entre as populações mais pobres do Nordeste brasileiro, durante boa parte do século XX, como resultado da desigualdade social e cultura de sobrevivência, onde muitos precisavam trabalhar desde cedo para ajudar no sustento da família, não tendo a oportunidade de estudar. O Nome de João Grilo. Na obra Auto da Compadecida 2, é revelado que o nome completo do personagem João Grilo do filme é "João Tinoque Serra Negra Júnior". Durante a cena do julgamento, Cristo apresenta João Grilo como filho de João Tinoque Serra Negra e Maria da Paz Tinoque. Esse nome parece ser uma alusão à origem de seu pai, que, tecnicamente, remeteria ao antigo distrito de Serra Negra, na Bahia, uma região historicamente associada aos coronéis, às volantes de Zé Rufino e aos diversos bandos do cangaço. Serra Negra também é próxima ao povoado natal de Maria Bonita, figura emblemática do cangaço. Contudo, o nome pode igualmente fazer referência ao personagem de cordel, o cangaceiro "João Serra Negra". Essa hipótese, porém, é menos provável, já que este é pouco conhecido e implicaria que o pai de João Grilo fosse cangaceiro, algo que não foi sugerido na obra. Outro personagem que possui seu sobrenome revelado é o cangaceiro Severino, personagem do primeiro filme. Em sua cova, seu nome completo é mostrado como sendo Severino Batista.

 
 
 

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