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  • Claudio Correa Monteiro

O filho eterno

Eu vou falar do livro escrito por Cristovão Tezza chamado O filho eterno, lançado pela Editora Record em 2007. Aclamado pela crítica e pelo público, O filho eterno conta a história do nascimento de uma criança com síndrome de Down coincidindo com o momento de ruptura na vida dos pais. Um filho desejado, mas diferente: nas palavras do pai, na tímida tentativa de explicar para os conhecidos, nos primeiro meses, uma criança com “um pequeno problema”. De início, tudo é estranhamento, e o pai assume que a urgência não é resolver o tal problema do menino – haveria algo a ser resolvido? –, mas o espaço que o filho ocupará, para sempre, na vida do casal. Em um livro corajoso e emocionante, Cristovão Tezza expõe as dificuldades, inúmeras, e as saborosas pequenas vitórias de criar um filho com síndrome de Down. O périplo por clínicas e consultórios médicos no início da década de 1980, época em que o assunto não era tão estudado, estando ainda envolto por certo grau de misticismo. E a tensa relação inicial com a mulher.Com o passar do tempo e uma série de pequenas conquistas – os primeiros passos, a ida à escola –, o pequeno Felipe vai conquistando o seu lugar de filho. O pai supera a fase de negação e já não vê mais a condição do primogênito como uma espécie de “maldição inesperada”, enxergando-o como um indivíduo único, que necessita de amor e cuidado. O autor aproveita as questões que apareceram pelo caminho desde o nascimento de Felipe para reordenar a própria história: a experimentação da vida em comunidade quando adolescente, a vida como ilegal na Alemanha para ganhar dinheiro, as dificuldades de escritor com trinta e poucos anos e alguns livros na gaveta, e a pretensa estabilidade com o cargo de professor em universidade pública. Com precisão literária para encadear, de maneira clara, referências de anos e situações tão díspares, Cristovão Tezza reforça, com a publicação de O filho eterno, seu lugar entre os maiores escritores brasileiros. O livro ganhou o Prêmio da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) 2007 (melhor obra de ficção do ano), Prêmio Jabuti 2008, Prêmio Portugal Telecom 2008, Prêmio São Paulo de Literatura 2008, 2009 Prix littéraire Charles-Brisset (Tradução francesa) e 2012 International IMPAC Dublin Literary Award - Finalista (Tradução inglesa). Foi adaptado como peça teatral por Bruno Lara Resende. A apresentação por Cia Atores de Laura, com direção de Daniel Herz, e com o ator Charles Fricks foi eleito por O Globo como uma das melhores peças de 2011. Também foi adaptação para um filme, com o mesmo nome, lançamento 2016, estrelado por Marcos Verás como Roberto, Débora Falabella como Cláudia, Pedro Vinícius como Fabrício, Uyara Torrente como Marina e Augusto Madeira como Dr. Lachmann e que conta a história de Roberto, escritor ainda não publicado, está seguro de que o nascimento do filho é o marco para uma nova vida. No entanto, ainda no hospital, ele descobre que terá de se acostumar com uma nova ideia - ser pai de Fabrício, uma criança com síndrome de Down. A notícia provoca em Roberto uma enxurrada de emoções contraditórias e conflitos que acabam afetando sua relação com o trabalho e seu casamento com Cláudia. Numa jornada de 12 anos, entre obstáculos, conquistas e descobertas,se revela o significado da paternidade.




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