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O pagador de promessas

  • Foto do escritor: Claudio Correa Monteiro
    Claudio Correa Monteiro
  • há 5 horas
  • 2 min de leitura

Eu vou falar do livro O Pagador de Promessas que é uma peça de teatro do dramaturgo brasileiro Dias Gomes, encenada pela primeira vez em São Paulo pelo TBC (Teatro Brasileiro de Comédia) no ano de 1960. A peça inspirou um filme homônimo, de 1962, que venceu o prêmio Palma de Ouro no Festival de Cannes. A peça é dividida em três atos, sendo que os dois primeiros ainda são subdivididos em dois quadros cada um. A história se passa na cidade de Salvador, já em processo de modernização. O personagem principal, o sertanejo Zé-do-Burro, deseja levar uma grande cruz até o interior da Igreja de Santa Bárbara para pagar uma promessa e, ao longo do trajeto, sofre com as mentiras, com a corrupção e com a ganância da sociedade. Nesta peça de renome internacional, o autor narra o emocionante calvário do simplório Zé-do-Burro: para cumprir promessa feita a Iansã, pela cura de seu burro, ele divide seu sítio com os lavradores pobres e carrega pesada cruz de madeira no percurso de sessenta léguas, com o objetivo de depositá-la no interior da igreja de Santa Bárbara, em Salvador. Dias Gomes é um mestre de seu ofício. Ele o tem demonstrado sobejamente em cada uma de suas obras. E O pagador de promessas não poderia deixar de refletir esse domínio seguro dos meios de expressão dramática. A ação, que se deflagra já nos primeiros momentos da peça, é conduzida com intensidade e economia, a cada quadro, a cada ato, arrastando-nos de maneira irresistível até o desfecho final. A narrativa é clara e densa, com repercussões que vão sempre além da palavra enunciada. Ao contrário do que acontece com muitas obras teatrais de qualidade, que se iniciam com ímpeto e às vezes o mantêm até certa altura para nos frustrar no final, esta peça de Dias Gomes é um todo completo e acabado: o seu final não resulta em frustração, mas em plenitude. E para isso é preciso mais do que dominar a técnica: é preciso que se reúnam, na realização da obra, aqueles fatores imponderáveis que dão nascimento à verdadeira obra de arte. E isto é tanto mais significativo porque esta peça afirmou ontem e reafirma hoje as possibilidades efetivas do teatro brasileiro: um teatro capaz de revelar a universalidade de nossa experiência, de nos impor como criadores de cultura.

 
 
 

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