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Os Cavalinhos de Platiplanto

Foto do escritor: Claudio Correa Monteiro
Claudio Correa Monteiro
2 de jul. de 2022
2 min de leitura


Eu vou falar do Livro Os cavalinhos de Platiplanto, o livro de contos de José J. Veiga, lançado em 1959. Usando reminiscências de infância, o narrador de Os cavalinhos de Platiplanto faz um passeio lírico e contundente pelos desejos e frustrações dos personagens. Poucos autores estrearam tão bem na literatura como fez José J. Veiga com Os cavalinhos de Platiplanto, em 1959, quando foi saudado pela crítica por sua prosa de características bastante singulares. Ao trazer reminiscências da infância, os doze contos do livro apresentam ao leitor um universo que mescla o embate entre os sonhos de seus personagens e a realidade do cotidiano. Nesse sentido, o conto que dá título ao livro serve como síntese da obra, como aponta o escritor Silviano Santiago no prefácio desta edição. Para ele, a obra "consegue equilibrar a violência que domina o mundo real com a nostalgia do paraíso que se perdeu, somando à saudade do passado a realização do desejo". As dificuldades da vida adulta percorrem todo o universo narrativo do livro, como em "Entre irmãos", selecionado entre Os cem melhores contos brasileiros do século, da editora Objetiva, em que dois rapazes confinados numa sala percebem que são irmãos e não conseguem diminuir o clima de desconforto e estranheza até o ambiente se tornar absolutamente sufocante. José J. Veiga tem o seu lugar garantido entre os melhores contistas brasileiros, como irá atestar o leitor ao folhear as páginas dessas breves narrativas, que junto com o romance A hora dos ruminantes marcam o início do projeto de reedição da obra completa do autor pela Companhia das Letras, lançada em 2015. No final do ano de 2014 a Companhia das Letras, detentora dos direitos autorais do escritor começou a reeditar os seus livros, a começar por "Os Cavalinhos de Platiplanto" e "A Hora dos Ruminantes", e preparava todos os demais volumes de sua bela obra. Conjunto de 12 contos, Os Cavalinhos de Platiplanto (1959), obra de estréia do goiano José J. Veiga, o livro despertou a atenção da crítica e ganhou o Prêmio Fábio Prado, um dos mais disputados da época. O livro traz, no geral, histórias de reminiscências, a maioria da infância, contadas com grande simplicidade na primeira pessoa por narradores que procuram estabelecer uma relação de confiança sobre o que está sendo relatado. Outro aspecto desse tipo de foco narrativo merece destaque: o envolvimento psicológico entre o narrador e a história é maior, já que sua participação emocional é grande. Nestas fábulas, também é comum sobrevir a dissolução repentina do mundo organizado: com o desequilíbrio, os personagens passam a viver o clima do absurdo que se instala na narrativa.


 
 
 

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