As flores do mal
- Claudio Correa Monteiro
- há 6 dias
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Eu vou falar do livro As Flores do Mal, escrito por Charles Baudelaire, lançado pela editora Nova Fronteira em uma edição bilíngue em 2006, com tradução, introdução e notas de Ivan Junqueira. As Flores do Mal (título original em francês: Les Fleurs du mal) é um livro escrito pelo poeta francês Charles Baudelaire, considerado um marco da poesia moderna e simbolista. As Flores do Mal reúnem, de modo exemplar, uma série de motivos da obra do poeta: a queda; a expulsão do paraíso; o amor; o erotismo; a decadência; a morte; o tempo; o exílio e o tédio. Pelas palavras de Paul Valéry: «As Flores do Mal não contêm poemas nem lendas nem nada que tenha que ver com uma forma narrativa. Não há nelas nenhum discurso filosófico. A política está ausente por completo. As descrições, escassas, são sempre densas de significado. Mas no livro tudo é fascinação, música, sensualidade abstracta e poderosa.» «Neste livro atroz, pus todo o meu pensamento, todo o meu coração, toda a minha religião (travestida), todo o meu ódio.», escreveu Baudelaire sobre este livro numa carta. Em 1857, no dia 25 de Junho, são publicadas As Flores do Mal. O livro foi logo violentamente atacado pelo Le Figaro e recolhido poucos dias depois sob acusação de insulto aos bons costumes. Baudelaire foi condenado a uma multa de 300 francos (reduzida depois para 50) e o editor a uma multa de 100 francos e, mais grave, seis poemas tiveram de ser suprimidos da publicação, condição sem a qual a obra não poderia voltar a circular. Em 1860 sai a segunda edição de As Flores do Mal. Foi organizada em cinco secções segregadas tematicamente: Spleen et Idéal (Tédio e Ideal); Tableux parisien (Quadros Parisienses); Le Vin (O Vinho); Les Fleurs du Mal (As Flores do Mal); Révolte (Revolta) e La Mort (A Morte). Observação: A obra "As Flores do Mal" foi dividida em seis grupos de poemas, depois foi adicionado mais um grupo de poemas. Esses seis grupos de poemas irão ser chamados de ciclos. O conhecimento dessa informação é importante, pois é no grupo dos "Quadros Parasienses" que Baudelaire vai tratar da cidade e das multidões. O grupo acrescentado foi: Tableux parisien (Quadros Parisienses). Baudelaire dedicou a obra ao poeta Théophile Gautier, descrevendo-o como um mágico perfeito das letras franceseas (parfait magicien des lettres françaises). Spleen e Ideal (Spleen et idéal): A primeira parte do livro abrange os 85 primeiros poemas, desde (Bénédiction) até (L'horloge). O título do poema (L'horloge), pertence à obra Espanha de Gautier, e está amplamente imitada por Baudelaire. O grupo apresenta diversas formas de salvação e liberdade: a beleza, a arte, a poesia, a morte e o amor e erotismo, onde se reconhecem poemas dedicados a inúmeras amantes ao decorrer do tempo. Tendo sido verificado o fracasso dessas formas ideais, o Spleen inicia-se com o tédio perante o tempo e sua repetição. Quadros Parisienses (Tableaux parisiens): Abarca o poema Paysage até Le crépuscule du matin. Na edição de 1857, esta parte do livro não constituía um capítulo separado, mas sim uma parte de "Spleen e Ideal", mas através da cidade de Paris. As Flores do Mal de Charles Baudelaire também inspirou flores do mal do Barão Vermelho, faixa do álbum Supermercado da Vida de 1992. A música “As Flores do Mal”, da Legião Urbana, faz uma referência direta à obra de Baudelaire, indicando que a canção aborda mais do que uma simples decepção amorosa. O título e o tom da letra sugerem um cenário de decadência, cinismo e autodestruição. Versos como “Volta pro esgoto baby / Vê se alguém lhe quer” deixam claro o desprezo do narrador por alguém que, segundo ele, se perdeu em traições e comportamentos autodestrutivos. Expressões como “teu perfume barato, teus truques banais” e “esse modelito da estação passada” reforçam a crítica à superficialidade e ao vazio de quem vive de aparências e manipulações. O contexto da composição revela que Renato Russo se inspirou em uma amiga próxima, o que torna a crítica ainda mais pessoal e amarga. Não se trata de um ataque genérico, mas de uma resposta direta a alguém do convívio do artista, que frequentava o mesmo ambiente noturno. A repetição de “Mentir é fácil demais” mostra como a falsidade se tornou algo corriqueiro, enquanto frases como “tua indecência não serve mais” e “tão decadente e tanto faz” evidenciam o desgaste emocional diante de atitudes repetidas. Assim, a música ultrapassa o tema da traição e se transforma em um retrato duro da decadência moral e da desilusão, alinhando-se ao espírito sombrio e provocador de Baudelaire.

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