Um defeito de cor
- Claudio Correa Monteiro
- 6 de ago.
- 2 min de leitura
Eu vou falar do livro Um Defeito de Cor que é um romance metaficcional da escritora brasileira Ana Maria Gonçalves (Ibiá, Minas Gerais), publicado em 2006. A obra figurou na sétima posição da lista dos 200 livros mais importantes para entender o Brasil, divulgado pela Folha de S.Paulo em 2022, no âmbito do projeto "200 anos, 200 livros". Em 2024, o livro ganhou nova projeção na mídia por ter sido a inspiração do samba enredo da Portela, no carnaval do Rio de Janeiro daquele ano. O livro conta a história da vida de Kehinde, uma ex-escravizada africana, idosa, que viveu no Brasil durante a maior parte do século XIX. Ele se inicia com a protagonista retornando à África, após ter sido escravizada e vivido experiências traumáticas no Brasil. Seu propósito principal é a busca de um filho, perdido há décadas. Ao longo do percurso da viagem, ela reflete sobre sua vida, desde a infância no Reino de Daomé (atual Benim), a captura aos oito anos de idade, tráfico, e escravização na Ilha de Itaparica, Bahia, e como isso resultou em inúmeras violências, a vida como adulta na Bahia, como conseguiu a Carta de alforria e o retorno à África como uma empresária bem sucedida, vivendo em meio a uma comunidade de ex-escravizados no Brasil, que retornaram ao Benin e à Nigéria. O romance é uma dramatização da vida de Luísa Mahin, mãe do poeta e advogado abolicionista Luis Gama. K romance descreve vários eventos históricos, inclusive a Revolta dos Malês (1835) e a Sabinada (1837-1838). Apesar do número de menções históricas à Luísa Mahin, ela é frequentemente tratada na história brasileira como uma figura mítica, como reportado em livros recentes que tratam da dimensão racial desse apagamento. A Lei n.º 13 816, de 24 de abril de 2019, inscreveu o nome de Luísa Mahin no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, depositado no Panteão da Pátria e Liberdade Tancredo Neves, em Brasília. Desde a sua publicação, o romance foi alvo de ampla discussão na imprensa e na academia brasileiras. Ele foi escolhido pela Folha de São Paulo como um dos livros mais importantes para entender a história do Brasil. Numerosos estudos foram feitos sobre Um Defeito de Cor, analisando o romance pela forma como retrata raça, classe, gênero e a história da escravidão. Em 2007, a obra ganhou o prêmio Casa de las Américas, em Cuba. O romance Um Defeito de Cor inspirou uma mostra que abriu no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), em Salvador em 2023. Em 2024, o romance inspirou o samba-enredo da escola de Samba Portela, no Carnaval do Rio de Janeiro.

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