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Entrevista com a Editora Amiga

Foto do escritor: Claudio Correa Monteiro
Claudio Correa Monteiro
8 de ago. de 2017
5 min de leitura

1. Como é o trabalho da editora Amiga no mercado literário?

A Editora Amiga já teve mais de 10 livros publicados, estamos no mercado há 3 anos. Se sustentar, sobreviver no mercado literário não é tão fácil assim. Entretanto, a Editora preza pelo cultivo da confiança do autor e leitor, pela eficiência e eficácia em todas as etapas para a publicação dos livros, que podem ser de temas variados, como espiritualidade, poesia, cotidiano, estórias, etc.

2. De que forma a Editora Amiga vê o mercado literário?

O mercado literário sofre modificações sempre, e houveram muitas mudanças se considerarmos por exemplo, os últimos 100, 50, e até 20, 10 anos atrás. Isso é normal, visto as transformações que ocorreram no contexto social e humano. Atualmente, o lado alternativo do ser tem sido concretizado nas variáveis que encontramos dentro da literatura. Estamos sempre atentos às mudanças e novidades para não ficarmos desatualizados, mas sem perder nosso DNA que é poder ser realmente um elo amigável do autor com sua obra, com seu sonho. E, logicamente, do leitor com a satisfação dos desejos ao ler algo que possa realmente causar uma reflexão, preenchimento, realização, mudança de vida...todo impacto benéfico vindo de uma leitura.

3. Os leitores brasileiros ainda têm preguiça para ler. A média de leitura do brasileiro é de um livro por ano. A editora Amiga se preocupa cem esta média? Como a editora vê esta média de leitura do brasileiro?

Não há como mudar uma cultura da noite para o dia. Aliás, mudar padrões, hábitos, costumes culturais, é algo que pode nem sequer ocorrer...O brasileiro não lê muito livro, isso tem um impacto negativo em várias coisas, entretanto, o brasileiro faz outras coisas que talvez outros povos não façam. A questão é: "O que muda em sua vida ao ler um livro?". As respostas são as mais variadas, mas todos concordamos que é inevitável a adição de conhecimento. E conhecer, buscar, pesquisar, é uma atitude que só traz benefícios. A outra questão é: Ler é importante. Mas a qualidade do que se lê é mais importante ainda.

Se o brasileiro pudesse entender que ler, é realmente um esporte, mas, mais do que isso, uma higiene mental, e possibilidade de crescimento interior e exterior, certamente dedicaríamos mais tempo a leitura. Acontece, que o contexto da sociedade atual, principalmente das grandes cidades, dá um espaço curto para as tarefas consideradas hobbies, e salvo as pessoas que ainda leem os livros, e realmente sentem a energia contida naqueles escritos, no toque das folhas, das páginas, há os que estudam e por isso leem, e há realmente os que não gostam de ler.

4. Como se faz para publicar livro no Brasil? Quais são os processos de publicação? Ainda é muito burocrático?

No Brasil, quase tudo tem uma burocracia, que é ''burro-cracia''. A gente bate o olho e diz: " não é possível que pedem tanta coisa, ou que precisa de tantos documentos, provas, argumentos...". Dependendo da Editora, ou de como o autor quer seu livro, há várias maneiras. A Editora Amiga, tenta fazer da forma mais rápida e melhor para que o autor consiga ver seu sonho realizado sem tantas burocracias, e ainda assim, de forma eficaz.

5. O brasileiro reclama do preço do livro. É abusivo o preço? Ou o brasileiro não se preocupa com a leitura?

As duas coisas. Há preços elevados, que poderiam ser menores (aliás não somente na questão dos livros, mas quase em tudo hoje em dia no Brasil...), mas não somente isso. Por exemplo, um brasileiro prefere gastar 10 reais tomando uma cerveja no bar, do que para comprar pelo mesmo valor (ou outros valores, e assim, também os gastos com outras cervejas, ou qualquer outra coisa) de um livro.

Mas, ás vezes, o que falta é o sentimento de prazer que uma leitura oferece. O brasileiro, em sua maioria, não sabe sentir isso. Mas, se desse uma chance poderia sentir. Poderia ser tocado por essa beleza de pegar um livro, e viajar em sua história, e ver como isso influencia em sua vida para melhor.

Daí, ele poderia equilibrar, e ao invés de só gastar com cinema, bebida, restaurante, balada, roupas (e infinitas outras coisas que também são legais e importantes para o processo pessoal de cada um, e coletivo), ele iria também reservar uma verba para comprar um livro, que na verdade é um investimento que estaria fazendo para sua própria vida, além de dar força para o autor, e para o mercado literário.

6. Como a Editora Amiga faz para incentivar a leitura no Brasil?

Nós estamos crescendo aos poucos, e ainda há muito, mas muito mesmo a fazer. Aos poucos, dentro do nosso histórico, damos incentivo aos autores para a publicação dos livros, para a criação de eventos, seminários, encontros, para que autor e leitor possam se conhecer, bater um papo...Na nossa página do Facebook tentamos mostrar sempre que o caminho da leitura é um caminho mágico, que só traz benefícios.

7. A Editora Amiga pode ganhar algum prêmio? Ou é exclusivo dos escritores ganharem prêmios como, por exemplo, o Prêmio Jabuti?

Tudo é possível, toda regra tem exceção né. Mas, o Jabuti que eu saiba é exclusivo dos escritores, pelo menos, sempre foi. A Editora Amiga pode ganhar prêmios. E, claro, isso seria um reconhecimento natural do nosso trabalho, mas estamos interessados em realizar o sonho dos escritores e dos autores, e como já dissemos, de forma eficaz e eficiente.

8. Como a Editora se sente quando um escritor ganha algum prêmio literário?

Nos dá uma alegria imensa. Pois queremos realmente fazer a diferença na vida do autor.

9. O mercado literário brasileiro está pobre de escritores? Ou o mercado literário brasileiro está perdendo espaço para a literatura estrangeira?

Não está pobre de escritores. Se o ser humano soubesse a capacidade que tem...tudo seria diferente. Temos todos um potencial latente, basta fluir, deixar aparecer, expressar, manifestar...A literatura nacional e estrangeira é rica, mas se não tivermos o incentivo nacional, acaba-se perdendo espaço para todo o restante da população mundial. Há espaço pra todos. Sol nasce pra todos.

10. Os escritores brasileiros estão repetindo o mesmo assunto? Por exemplo, se um escritor escreve um romance sobre viagem no tempo, existem escritores que repetem este mesmo assunto?

Sim, isso está acontecendo. Isso acontece por vários motivos - moda, contexto, inconsciente coletivo, falta de criatividade...isso não quer dizer que é ruim. Porque pode haver aprofundamento nas análises, estudos, argumentos, pensamentos...mas, é interessante, perceber, que é possível falar sobre outras coisas, sobre assuntos que podem trazer uma consciência acerca de atitudes que podem mudar o caminho da humanidade, como por exemplo, a questão ecológica, sustentável, que já não é somente uma questão lúdica e poética, mas uma necessidade para a sobrevivência do ser humano e do Planeta Terra.

11. Falta inovação no mercado literário brasileiro?

O desafio das inovações é que nem sempre são inovações. Muitas vezes são as mesmas crenças com roupagens diferentes. Na realidade, a humanidade precisa de uma renovação em quase todas as atividades, inclusive a literária. Mas para isso, é necessário uma condição interna de cada um para mudar padrões considerados imutáveis pela sociedade.

12. Falta criatividade entre os escritores?

Falta criatividade para a humanidade em geral. Aparentemente parecemos (humanidade) criativos, mas não somos. Precisamos ser mais, precisamos dar vazão ao novo, deixar a energia criativa fluir.

O escritor, como todo artista, pinto, músico, compositor, precisa de uma inspiração para realizar com a Alma sua obra.

13. Como a Editora Amiga vê o mercado de Ebooks?

Tudo que favorecer a leitura é bem vindo. O Ebook tem sua importância, podemos ver vários lados bons - questão ecológica, facilidade, expansão do conhecimento, etc...

14. E como será o mercado literário no futuro? A Editora Amiga se vê otimista em relação ao mercado literário no presente? E no futuro também?

Vai depender da consciência do ser humano acerca das perguntas: " Quem sou? O que quero? Para onde vou?"

Não é fácil respondê-las. Mas, pelo menos podemos refletir, e buscar caminhos dentro da gente, para uma relação e interação mais harmoniosa e pacífica com o mundo externo.

Vemos pessimismo e otimismo ao mesmo tempo. Pois toda sombra é oportunidade de encontrar uma Luz.

Muito Obrigado

Abraços

Emerson Pantaleo,

Editora Amiga

Observação: Na figura traz o link para o site da Editora Amiga.


 
 
 

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