Permanência popular (crônica)

Na mais completa forma tecnológica e globalizada de viver a vida, no mais completo significado da vivência consumista, vou trilhando os caminhos. Os rastros destes concretos armados, estas formas criam muros que me levam a propagandas, que me incluem ao mundo do capital, a inclusão do canibalismo, do canibalismo urbano. E isso se tornou tão natural.
Andei em frente a uma estrutura tão inerte e massificada que meus pés ficaram calejados de tanto cimento. O chão queimava com a luz do sol, eu podia ter colocado um calçado, daqueles da moda que muitos almejam, mas eu preferi colocar um chinelo, daqueles chinelos mal vistos pela estrutura massificada, logo depois resolvi andar descalço, fui rotulado de louco, entretanto, permaneci.
Olhei milhares de pessoas com os dedos apontados em minha direção, hoje em dia, esses dedos viraram armas, armas tão pesadas quanto as armas de fogo, essas armas do novo século tem um poder de fogo devastador, as armas que cospem chumbo, muitas vezes são embaladas pelo poder da "justiça" do dedo que aponta e julga, esses dedos podem estar puxando o gatilho ou apoiando o dedo que puxa o gatilho, essas armas de hoje são terríveis... São tantos dedos apontados, que esquecemos dos pés, os pés desçalços. Vou tentar me abrigar em alguma sombra, sombra de alguma árvore, alguma planta, e se nesse descanso vier uma bala perdida e me acertar deixo aqui minhas palavras e peço que olhem meus calos e as marcas do dia-dia, antes que o primeiro dedo aponte para minha história... Enquanto não me acertarem, vou tentando permanecer.
Por: Jonas M. Carreira

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