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Caderno h

Foto do escritor: Claudio Correa Monteiro
Claudio Correa Monteiro
5 de mar. de 2025
2 min de leitura

Eu vou falar do livro Caderno H, escrito por Mário Quintana, lançado pela editora Globo Livros, em 1973, a primeira edição. Nesta obra, o leitor poderá encontrar temas como - infância, lembranças, cenas cotidianas, o mundo dos objetos que cercam as pessoas, meditações sobre o tempo e a poesia, Deus, desejo, morte. Nela se apresentam desde temas considerados grandiosos ou graves até situações comuns ou observações que privilegiam os aspectos marginais das coisas e da realidade. Delícia de ler, mastigar, ruminar este livro. Ao longo de décadas, Mario Quintana publicou no jornal Correio do Povo, de Porto Alegre, seu Caderno H, feito de poesia, humor, sabedoria. Da crônica ao poema, passando pelas frases cheias de espírito, esses cadernos foram os grandes responsáveis pela consagração popular de sua literatura. A cada novo trecho do Caderno, nos deparamos com a união singular, tão característica de Quintana, da inteligência com a intuição reveladora. Assim como no enquadramento jornalístico original, ao serem colocados em forma de livro, os textos deste Caderno H, por sua própria organização fragmentária, fornecem alimento cotidiano à inteligência do leitor comum, apaixonado por literatura. Um clássico brasileiro. Na era do Twitter (atual x), este Caderno H ganha uma atualidade surpreendente. Que a poesia e a prosa de Quintana tinham lugar assegurado no cânone da literatura brasileira do século XX era algo fora de discussão. Mas a comunicação ainda mais veloz do século XXI, comunicação em tempo real, encontra, nestes textos, modelo e inspiração. Os aforismos e prosas curtas do Caderno H, na sua diversidade aberta para o infinito (é o infinito no sucinto), são lições de como conjugar intuição e raciocínio, humor e sentimento, crônica e reflexão, circunstância e perenidade. A presente edição propicia ao leitor contemporâneo o encontro - e ao leitor veterano o reencontro - com ideias e histórias que, de tão repetidas e citadas, praticamente já fazem parte repertório de provérbios e frases feitas da cultura literária brasileira mais ampla. Fruto de erudição e sensibilidade, Caderno H foi o livro de Quintana que mais decisivamente o transformou num escritor popular, aquele cujos escritos se inscrevem no subconsciente de uma língua.



 
 
 

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